A forma como pessoas e lugares se conecta não é um tema novo no cinema, mas usando um formato de contos que simulam uma fábula, o novo filme do diretor sul-coreano Hong Sang-Soo traz um novo olhar para como nossos destinos podem ser alterados por pequenas escolhas.
Dividida em três partes, aqui acompanhamos vários encontros (e desencontros) que se vistos separadamente ficam confusos. Mas quando analisamos juntos é possível perceber como pequenos detalhes fazem a obra se destacar na forma como ela trata os relacionamentos dos personagens.
O principal ponto que liga todas as partes é o jovem ator que inicialmente quer conversar com seu pai, depois resolve ir atrás da sua namorada em Berlim e por último se encontra com um ator mais velho a pedido da sua mãe.
Cada momento dele em tela fala muito sobre como nossas escolhas são influenciadas pelas pessoas que gostamos ou que estão ao nosso redor, e como uma simples conversa pode mudar a forma como encaramos vários aspectos da nossa vida.

O filme tem uma clara inspiração na Nouvelle Vague francesa, as tomadas são limpas e percorremos o cenário como meros espectadores. E junto com diálogos dinâmicos e que simulam bem a forma natural com que conversamos no dia a dia, é fácil esquecer que estamos vendo atores em tela.
Isso junto com a fotografia em preto e branco aumenta ainda mais a sensação de intimidade e fábula que o filme tem, já que apesar de claramente se passar na atualidade a sensação que o longa passa é de que ele poderia se passar em qualquer época, já que seu tema também é universal.
Esse é meu primeiro contato com o diretor, que faz parte da nova onda sul-coreana que vem ganhando força nos últimos anos, e além de ter aproveitado muito os minutos que passei nesse filme, fiquei mais interessada para conhecer mais dos outros trabalhos feitos por Hong Sang-Soo.




