Paris, Texas tem uma das cenas e diálogos mais lindos da história do cinema sobre amor e separação. Mas por se passar na década de 80, é claro que seus dramas e interações são reflexos dessa época.
E com o avanço tecnológico e da sociedade, é divertido imaginar como os personagens do aclamado longa estariam hoje, e como vários momentos aconteceriam dentro dessa nova dinâmica. E Corpo Celeste faz isso de forma muito criativa e assertiva.
Lógico que por se tratar de um curta não temos um grande desenvolvimento de personagem como na obra original. Mas a escolha de mostrar mais o lado da mulher faz com que essa história ganhe novos ares.
Mesmo que Jane, nunca seja criticada ou questionada em Paris, Texas, o filme de 1980 tem como protagonista Travis, e as únicas coisas que sabemos sobre sua antiga esposa é o que ele conta. E apesar do grande impacto da revelação final, é impossível não desejar saber mais sobre a história dessa mulher.

Já Corpo Celeste desde o início deixa claro que seu foco é Letícia, e que vamos ouvir sua versão e que é essa a narrativa que importa nessa história.
Outra ótima atualização é colocar a protagonista como uma CamGirl, o que além de ser uma evolução natural das cabines eróticas de décadas passadas, é muito condizente com a própria personalidade e motivos de Letícia.
As duas obras são emocionantes nos seus diálogos finais, e é impossível não sentir o sofrimento e carinho que permeia esses relacionamentos que já existiram, mas que por razões similares chegaram ao fim.
Corpo Celeste além de um ótimo curta, é perfeito para quem deseja conhecer mais obras clássicas e precisa de uma porta de entrada para gerar aquela curiosidade inicial.




