Um dos debates que tem ganhado cada vez mais espaço, principalmente em países com alto índice de idosos na população, é sobre a morte digna. Termo que abrange assuntos desde eutanásia até a recusa de tratamentos agressivos com pouca probabilidade de sucesso.
E o novo filme de François Ozon aborda esse assunto tão delicado e que afeta cada pessoa de uma forma única.
Escrito e dirigido por ele, Está Tudo Bem acompanha Emmanuèle, que, depois que seu pai sofre um AVC, recebe dele o pedido para que ela ajude ele a se matar. E acompanhamos como essa questão se desenrola tanto para a protagonista como para as pessoas ao seu redor.
O fato é que todo assunto que trate sobre morte é visto como tabu, e algo que não deve ser discutido. Mas o filme consegue mostrar muito bem que na realidade a voz que deve ser mais ouvida nessa discussão é a da pessoa que está passando por todas as dores e sofrimentos que uma doença ou condição podem causar.

O filme brilha nos momentos em que vemos as diferentes abordagens sobre essa decisão do patriarca. Cada um dos envolvidos sofre de um jeito diferente, e tenta passar por isso da melhor forma. Os retratos de luto prematuro, raiva e negação são muito reais, e muitas vezes temos a sensação de estar acompanhando pessoas que já passaram por isso.
Outro ponto excelente no filme é a parte legal. Na França, onde a história se passa, apenas casos gravíssimos são autorizados para a realização de uma eutanásia, e mesmo entre os que se enquadram na legislação, são raros os aprovados. Já na Suíça a legislação é mais flexível, e em uma clínica de lá que decidem mandar o pai que insiste no procedimento.
E só esse fato, apesar de não ser uma discussão dentro do roteiro, levanta também a questão de quem pode realizar esse desejo. Já que eles só conseguem por ter dinheiro e condições de bancar, não apenas a clínica e viagem para a Suíça, como também um advogado caso seja aberto um processo contra elas.

Porém o filme tem suas falhas. O principal ponto fraco da sua narrativa são momentos de flashback, que mostram a infância de Emmanuèle, que muitas vezes acabam não tendo uma ligação direta com o que está acontecendo no presente. Ou tramas paralelas e situações que apenas desviam o foco da história que é a relação dos pai com as filhas e como elas se sentem nessa situação.
Por isso, apesar da temática, o filme perde força em alguns momentos e não chega a ser tão emocionante e dramático como poderia. Mas acompanhar o desenrolar das emoções e situações que Emmanuèle e sua irmã passam é muito bonito, e com certeza compensa toda a experiência.




