Oscar 2022: Depois de 16 anos, ainda estamos aqui…

Antes de tudo devo dizer que gosto muito de CODA: No Ritmo do Coração. Ele é um dos meus filmes favoritos dessa seleção do Oscar, e acho ele é lindo e muito bem feito em todos os pontos. Com esse texto eu não quero questionar suas qualidades.

Agora vamos ao que interessa…

Hoje, a edição de 2006 do maior prêmio do cinema é infame. Foi nessa noite que Crash levou para casa o Melhor Filme no lugar de O Segredo de Brokeback Mountain. Todos naquela noite tinham certeza da vitória do filme de Ang Lee. Não apenas por ser um filme excelente e com uma técnica perfeita, mas também por trazer um novo olhar sobre o estereótipo do cowboy americano.

Brokeback continua sendo comentado e estudado, ele é considerado um marco na representação de personagens LGBT+, e seus personagens e diálogos entraram para a cultura pop.

E ele era o favorito na campanha do Oscar no seu ano. Por isso o choque de todos quando Crash: No limite levou a estatueta principal. Todos ficaram chocados, e o próprio diretor, Paul Haggis, considera que aquele não era o Melhor Filme da noite.

“Era o melhor filme do ano? Eu não acho (…) Boa Noite e Boa Sorte – um filme incrível. Capote – formidável. Brockeback Mountain do Ang Lee, excelente. E o Munique do Spielberg. Quero dizer, que ano. (…) Mas Crash, por alguma razão, afetou as pessoas, tocou elas. (…) Mas você não deveria me perguntar qual era o melhor filme daquele ano, porque eu não votaria em Crash…”

Paul Haggis em entrevista para o The Guardian, em 2015.

Agora Crash é infame, e motivo de piada para muitos. Mas na sua grande noite ele era considerado um filme “ok”. Nada grandioso, mas que agradava a todos pelo menos um pouco, o suficiente para conseguir os votos necessários para vencer.

O que ficou evidente naquela noite foi como a Academia não estava pronta para aceitar a diversidade, e como seria necessário muitos anos e um trabalho árduo para dar destaque à obras que apresentassem alguma diversidade que fosse contra os padrões conservadores da maioria dos votantes.

Agora em 2022 acredito que tenha acontecido algo similar.

Vários Sam Elliotts

Algumas semanas antes da noite da premiação do Oscar 2022, o ator Sam Elliott, deu declarações contra Ataque dos Cães, o que gerou muita revolta de indignação não apenas dos envolvidos no projeto, mas em toda a comunidade cinematográfica. Ou era o que parecia inicialmente…

A questão é que a suposta unanimidade de Ataque dos Cães provavelmente foi falsa. Quantas pessoas não pensam como Sam Elliott, mas simplesmente não expressaram suas opiniões sabendo que receberiam duras críticas?

Nenhum filme deve ser consenso e agradar à todos. Mas, quando analisamos quem forma a Academia, e quais são os seus posicionamentos (abertos ou escondidos), vemos que talvez não tenhamos ido tão longe desde de 2006. Apesar da Academia se esforçar nos últimos anos para aumentar a diversidade entre seus membros, isso é um processo lento, e que provavelmente só vá trazer resultados à longo prazo.

Já caminhamos muito com a vitória de Moonlight mostrando que existe sim uma abertura maior para novas histórias. Desde que elas não toquem pontos e símbolos que são tidos como sagrados para o cinema dos Estados Unidos. Ou que não vá contra as noções preconcebidas da sociedade que as pessoas tem.

Porém é inegável que um filme que recebe 12 indicações tem potencial para entrar na história do cinema. E essa mesma obra sair com apenas um Oscar na noite é no mínimo suspeito. A impressão que fica é a de que o prêmio foi mais um reconhecimento para a carreira da Jane Campion como diretora, do que pelo seu trabalho nesse filme específico.

O Oscar é sempre injusto de uma forma ou outra, e isso faz parte dele. Não acho injusto a vitória de CODA, como disse no início, gosto muito dele. Mas toda essa noite me fez refletir sobre quem são essas pessoas que ditam quais histórias merecem destaque, e quais devem ser feitas…

Qual a opinião de vocês? Aguardo a resposta nos comentários!


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