Dirigido por Armando Praça, Fortaleza Hotel mostra como duas mulheres diferentes conseguem encontrar apoio durante um momento de crise.
Pilar (Clébia Sousa) é uma camareira, e ela tem o desejo de sair do Brasil. Já Shin (Lee Young-Lan) é uma viúva sul-coreana que está hospedada no hotel que Pilar trabalha para cuidar do corpo do marido que cometeu suicídio. E como Pilar é a única que Shin encontra para auxiliar ela como tradutora, as duas começam a se aproximar.

Com atuações simples, as duas protagonistas conseguem passar todo o desespero que as personagens sentem ao longo da história. Mesmo com poucos olhares e frases, as atrizes transmitem todos os sentimentos e pensamentos que as personagens têm.
No início nenhuma delas se sente confortável com a presença da outra, já que não apenas elas são de culturas diferentes, mas estão em situações e com problemas pessoais diferentes, então apesar de estarem juntas existe certa animosidade entre elas. Mas conforme a situação de cada uma vai escalando elas acabam criando um vínculo muito forte.
A fotografia do filme representa muito bem essa evolução. No começo as personagens raramente aparecem no mesmo enquadramento, e muitas vezes acompanhamos elas através de vidros ou molduras, deixando bem claro o quanto elas estão afastadas.

Mas com o passar do tempo as duas se aproximam, principalmente quando passam a dividir suas vidas e experiências. E nessa hora que descobrimos que Pilar se tornou mãe muito cedo, e que ela se sente presa onde ela viva, por isso quer ir embora. Mas Shin sente que não tem mais família no seu país, e que apesar das dificuldades financeiras o trabalho do marido em Fortaleza era bom, e eles planejavam se mudar para lá.
É justamente nessa frustração de desejos e vontades não realizadas que as duas se apoiam. A cena em que elas dançam e enquanto ouvimos suas músicas favoritas é linda, e é o momento catártico para essas personagens.




